James Heckman, prêmio Nobel de Economia 2000, visitou a Argentina para receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade del Cema (Ucema) e participou do evento “Ventos de Mudança”, ao lado do presidente Javier Milei e ministros do gabinete.
Ucema reconheceu Heckman como uma figura emblemática da tradição de Chicago, fundindo teoria, evidência e design de políticas. Ele é fundador e diretor do Center for the Economics of Human Development e cofundador da Harris School of Public Policy. No ranking de economistas do RePEc/IDEAS, ocupa a terceira posição mundial e a segunda em número de citações. Suas principais contribuições incluem a “correção de Heckman” e a demonstração de que o investimento na primeira infância gera elevados retornos econômicos.
Antes de seu retorno a Chicago, Heckman conversou com a Infobae junto a Carola Pessino, reitora da Ucema, que destacou que o economista “merecia dois prêmios Nobel” por suas contribuições. Ao ser perguntado sobre a evolução da economia argentina e sua percepção do evento Ventos de Mudança, Heckman expressou que gostou do evento e sentiu um ambiente de otimismo, embora notasse uma falta de detalhes nas propostas apresentadas.
Heckman se referiu à necessidade de detalhes nos programas de ajuda na primeira infância e sobre como se financiará a seguridade social. Informou que durante o evento foram discutidas propostas para fortalecer a educação e preparar a força de trabalho com habilidades práticas. Admitiu que a teoria do segundo melhor em economia é chave para realizar reformas em um sistema distorcido e que, em muitos casos, os ajustes devem ser feitos pensando no impacto do sistema como um todo.
Sobre a tensão entre as políticas de Milei e os resultados econômicos e políticos, Heckman levantou que é fundamental encontrar um equilíbrio, dado que muitas políticas públicas requerem um retorno a longo prazo. Carola Pessino comentou que o governo conseguiu eliminar um déficit fiscal de 5% do PIB e que a economia cresceu, o que muitas vezes não se observa em outros países que cortam o déficit.
Heckman concluiu alertando que, embora a Argentina tenha realizado reformas, o caminho sempre envolve riscos. A história o lembra de que os benefícios das reformas podem demorar a se materializar, sublinhando a importância de que o público entenda esse processo e apoie o progresso a longo prazo.
Fonte: www.infobae.com