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Precisa de passaporte para ir para Argentina? RG, CIN e menores em 2026

Precisa de passaporte para ir para Argentina? RG, CIN e menores em 2026

Brasileiros entram na Argentina como turistas só com o RG físico emitido há menos de 10 anos. Veja quando o passaporte é obrigatório e as regras para menores.
Aerial view of Buenos Aires, a city where Brazilians travel to Argentina documents are checked Aerial view of Buenos Aires, a city where Brazilians travel to Argentina documents are checked
Photo: Juan Pablo Mascanfroni / Unsplash

Não: o brasileiro que vai à Argentina a turismo não precisa de passaporte, desde que leve a carteira de identidade física emitida há menos de 10 anos e com foto que ainda o identifique.

Este guia responde, item por item, se você precisa de passaporte para ir para Argentina: quais documentos são aceitos, a regra dos 10 anos, a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), o que é recusado na fronteira, as autorizações para menores e o caso do Chile. As regras foram conferidas em 8 de outubro de 2026 nas páginas da Polícia Federal, da Dirección Nacional de Migraciones da Argentina, do Conselho Nacional de Justiça e do Mercosul.

Precisa de passaporte para ir para Argentina como turista?

Para turismo, o passaporte é dispensado: a Polícia Federal aceita a cédula de identidade emitida há menos de 10 anos e cuja fotografia ainda identifique plenamente o titular. A base é o Acordo sobre Documentos de Viagem e de Retorno do Mercosul, assinado em 21 de dezembro de 2015, que lista os documentos de cada país.

Do lado argentino, a Dirección Nacional de Migraciones admite a entrada de turistas brasileiros com passaporte vigente ou com cédula de identidade vigente do país de origem. A permanência como turista é de até três meses, prorrogável por outro período igual, e não permite trabalho remunerado.

Na prática, a resposta à pergunta “precisa de passaporte para ir para Argentina” depende de três fatores: o motivo da viagem, o documento que você tem em mãos e o estado dele. Se algum desses pontos falhar, a companhia aérea pode negar o embarque ainda no Brasil.

Documentos aceitos e recusados na fronteira

O RG físico em bom estado e o passaporte válido são os dois documentos que resolvem a viagem de turismo; carteiras profissionais e a CNH são recusadas. A tabela resume o que a Polícia Federal e o Anexo I do acordo do Mercosul dizem sobre cada documento.

Documento Aceito para turismo na Argentina? Condição
Passaporte brasileiro Sim Dentro da validade
Carteira de identidade (RG) estadual, modelo antigo Sim Física, emitida há menos de 10 anos, foto que identifique o titular
Carteira de Identidade Nacional (CIN) Incluída no acordo em 2026 Física; veja a seção sobre a CIN
RG ou CIN digital no celular Não Leve sempre o documento impresso
CNH (física ou digital) Não Vale só para dirigir
Carteiras de OAB, CRM e outros conselhos Não Recusadas pela Polícia Federal
Certidão de nascimento ou casamento Não Recusada pela Polícia Federal
Boletim de ocorrência de perda Não Não substitui o documento

A Polícia Federal informa que CNH, OAB, CRM e certidões “serão negados” para ingresso em países do Mercosul, seja qual for o motivo da viagem. O mesmo vale para cópias e fotos do documento.

A regra dos 10 anos do RG

O RG serve como documento de viagem quando foi emitido há menos de 10 anos, segundo a página de dúvidas da Polícia Federal. Confira a data de expedição impressa no verso: se ela tiver mais de 10 anos no dia da volta, emita um documento novo ou viaje com passaporte.

A foto também conta. Uma carteira tirada na infância, com rosto muito diferente do atual, pode ser recusada mesmo dentro do prazo, e um documento rasgado, plastificado de forma irregular ou ilegível tem o mesmo risco.

A nova Carteira de Identidade Nacional (CIN)

A CIN foi incluída na lista de documentos de viagem do Mercosul pela Decisão CMC nº 10/26, aprovada em Assunção na segunda-feira, 29 de junho de 2026. O texto substitui o Anexo I do acordo de 2015 e passa a listar, para o Brasil, o Registro de Identidade Civil, a cédula estadual com validade nacional, a CIN, a cédula de estrangeiro e o passaporte.

O acordo modificativo entra em vigor 30 dias depois da assinatura pelos países, segundo o próprio texto publicado na base de normas do Mercosul. Até a data desta revisão, a página da Migraciones não detalha modelos de documento brasileiro, então quem tem só a CIN e quer evitar qualquer discussão no balcão pode levar também o passaporte.

O RG antigo continua valendo. Pelo Decreto nº 10.977/2022, as carteiras emitidas no padrão anterior permanecem válidas por dez anos a partir de 1º de março de 2022, e as de quem tinha 60 anos ou mais nessa data têm validade indeterminada. Para viajar, porém, continua valendo o limite de 10 anos desde a emissão exigido pela Polícia Federal.

Quando o passaporte é obrigatório

O passaporte é obrigatório em qualquer viagem que não seja turismo: trabalho, estudos, residência, tratamento de saúde ou outro motivo, conforme a Polícia Federal. Quem vai fazer intercâmbio, mestrado ou mudar para Buenos Aires deve tirar passaporte antes.

O passaporte também é a saída mais segura em três situações comuns:

  • seu RG tem mais de 10 anos ou a foto está muito desatualizada;
  • você vai seguir viagem da Argentina para um país fora do acordo do Mercosul;
  • você perdeu o RG pouco antes da viagem e só tem o boletim de ocorrência.

Se você já tem passaporte válido, basta levá-lo; não há exigência de visto para turismo de brasileiros na Argentina. Depois de chegar, vale se organizar para os gastos e os deslocamentos: veja como pagar com Pix na Argentina e o guia de ônibus de Buenos Aires com itinerários e horários.

Viagem de menores de idade

Criança ou adolescente brasileiro que mora no Brasil pode viajar ao exterior sem autorização judicial nos três casos previstos no artigo 1º da Resolução CNJ nº 131/2011: com ambos os pais, com um dos pais e autorização do outro, ou sem os pais com autorização de ambos.

Situação da viagem Documento exigido na saída do Brasil
Com o pai e a mãe Nenhuma autorização, só o documento de viagem do menor
Com apenas um dos pais Autorização do outro genitor com firma reconhecida
Sozinho ou com outro adulto Autorização de ambos os pais com firma reconhecida
Com estrangeiro residente no exterior que não seja genitor Autorização judicial prévia

A autorização dos pais deve ser apresentada em duas vias originais, e uma fica retida com a Polícia Federal. O reconhecimento de firma pode ser por autenticidade ou por semelhança, e a autorização também pode ser feita por escritura pública.

Se o documento não indicar prazo, a autorização vale por dois anos, conforme o artigo 10 da resolução. O menor precisa ainda do próprio documento de viagem: RG emitido há menos de 10 anos com foto atual ou passaporte válido. Para criança pequena, cuja aparência muda rápido, o passaporte costuma evitar problemas na conferência da foto.

E o Chile?

Para o Chile vale a mesma lógica: o país é parte do acordo de documentos de viagem do Mercosul como Estado associado e consta da lista da Polícia Federal de destinos onde o RG emitido há menos de 10 anos dispensa o passaporte em viagem de turismo. Lá, a permanência de turista é de até 90 dias, prorrogável uma vez.

Quem combina Buenos Aires e Santiago na mesma viagem pode usar o mesmo documento nas duas fronteiras, inclusive na travessia terrestre pelos Andes. Para planejar a parte chilena, veja a melhor época para visitar o Chile e o guia de ônibus de Santiago com itinerários da rede Red.

Checklist antes de embarcar

Antes de sair de casa, confira estes pontos; eles cobrem quase todos os casos de embarque negado.

  1. Documento físico na mão. RG ou CIN impresso ou passaporte; o aplicativo no celular não substitui.
  2. Data de expedição do RG. Menos de 10 anos no dia da volta, com foto que ainda pareça com você.
  3. Estado do documento. Sem rasgos, manchas ou plastificação que esconda dados.
  4. Motivo da viagem. Turismo com RG; trabalho, estudos ou residência só com passaporte.
  5. Menores. Autorização em duas vias com firma reconhecida quando faltar um dos pais.
  6. Seguro e carregadores. Contrate seguro-viagem e veja o padrão de tomada na Argentina para não ficar sem bateria.

Se a viagem for no verão, o guia Buenos Aires em dezembro e janeiro ajuda a montar o roteiro.

Perguntas frequentes

Precisa de passaporte para ir para Argentina de avião?

Não, para turismo o RG físico emitido há menos de 10 anos é aceito tanto em voos quanto por terra. A companhia aérea confere o documento no check-in e pode negar o embarque se ele estiver vencido pelo critério dos 10 anos, danificado ou só em versão digital. Por isso, leve o documento impresso e em bom estado.

Posso entrar na Argentina com RG de mais de 10 anos?

Não é recomendável. A Polícia Federal só dispensa o passaporte quando a cédula de identidade foi emitida há menos de 10 anos e a foto ainda identifica o titular. Com um RG mais antigo, o risco de ter o embarque negado é alto; emita uma nova carteira ou viaje com passaporte válido.

A CNH vale como documento para entrar na Argentina?

Não. A Polícia Federal informa que a CNH é recusada para ingresso em países do Mercosul, seja qual for o motivo da viagem, e isso vale para a versão física e para a digital. A carteira de motorista serve para dirigir na Argentina, mas a identificação na fronteira precisa ser feita com RG, CIN ou passaporte.

O RG digital no celular é aceito na fronteira?

Não. A entrada na Argentina exige o documento físico, e versões digitais de RG, CIN ou CNH em aplicativos não substituem o original no controle migratório. Leve a carteira impressa ou o passaporte, e guarde uma foto do documento só como cópia de segurança em caso de perda.

Quanto tempo o brasileiro pode ficar na Argentina como turista?

O turista brasileiro pode ficar até três meses, prorrogáveis por outro período igual, segundo a Dirección Nacional de Migraciones. Nesse período não é permitido trabalho remunerado. Para morar, estudar ou trabalhar, o caminho é pedir residência e, nesses casos, o passaporte passa a ser obrigatório.

Criança precisa de passaporte para ir para a Argentina?

Não necessariamente: a criança pode viajar com RG emitido há menos de 10 anos e com foto que a identifique. Como o rosto muda rápido na infância, o passaporte evita discussão na conferência. Se viajar sem um dos pais, precisa também da autorização prevista na Resolução CNJ nº 131/2011.

Preciso de passaporte para ir à Argentina e ao Chile na mesma viagem?

Não, para turismo o mesmo RG emitido há menos de 10 anos serve nos dois países, porque Argentina e Chile fazem parte do acordo de documentos de viagem do Mercosul. Se o roteiro incluir outro país fora do acordo, leve o passaporte.

Foto de capa: Juan Pablo Mascanfroni / Unsplash

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