Os obeliscos egípcios mais famosos fora do Egito estão em Roma, que tem oito, e em Paris, Londres, Nova York e Istambul; dentro do Egito, os destaques são Karnak, Luxor, Heliópolis e Assuã.
Este guia reúne, cidade por cidade, qual faraó encomendou cada obelisco, quanto ele mede e quando foi transferido, com dicas práticas para você ver os monumentos em uma viagem. Os dados foram conferidos em outubro de 2026 em fontes oficiais e de patrimônio: Turismo Roma, Ministério da Cultura da França, Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, Historic England, London Museum, Central Park Conservancy e Encyclopaedia Britannica. As alturas são aproximadas e se referem ao monólito, sem pedestal.
O que são os obeliscos egípcios e para que serviam
Os obeliscos egípcios são pilares de pedra talhados em um único bloco, de seção quadrada, que se afinam até uma ponta em forma de pirâmide chamada piramídio. Os egípcios os chamavam de tekhen e os associavam ao culto do sol, em especial ao deus Rá.
Eles ficavam sobretudo diante da entrada dos templos, muitas vezes em pares, como os dois que Ramsés II colocou em frente ao pilone do templo de Luxor. Os hieróglifos das faces dedicavam o monumento aos deuses e celebravam o faraó que o havia encomendado. O piramídio às vezes era revestido de ouro ou de electro, uma liga natural de ouro e prata, para refletir a luz do sol.
A pedra saía de pedreiras de granito como as de Assuã, no sul do Egito. Segundo a Encyclopaedia Britannica, uma inscrição na base do obelisco de Hatshepsut em Karnak diz que cortá-lo na pedreira levou sete meses. Os relevos do templo de Hatshepsut em Deir el-Bahari, citados pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, mostram obeliscos sendo levados pelo Nilo até Karnak.
Tabela de obeliscos egípcios fora do Egito
Fora do Egito, os obeliscos egípcios antigos mais visitados estão em Roma, Paris, Londres, Nova York e Istambul. A tabela mostra onde vê-los, qual faraó os encomendou, a altura aproximada e quando chegaram ao local atual.
| Cidade | Onde fica | Faraó (origem) | Altura aprox. | Transferência |
|---|---|---|---|---|
| Roma | Piazza di San Giovanni in Laterano | Tutmés III (Karnak) | 32 m | Chegou a Roma em 357 com Constâncio II; no local atual desde 1588 |
| Roma | Praça de São Pedro, Vaticano | Sem hieróglifos, faraó desconhecido | 25,5 m | Chegou a Roma em 37 d.C. com Calígula; na praça desde 1586 |
| Roma | Piazza del Popolo | Século XIII a.C. (Heliópolis) | 24 m | Levado por Augusto em 10 a.C.; na praça desde 1589 |
| Roma | Piazza di Montecitorio | Psamético II (Heliópolis) | 21,8 m | Época de Augusto; na praça desde 1792 |
| Roma | Piazza della Rotonda, em frente ao Panteão | Ramsés II (Heliópolis) | 6 m | Época de Domiciano; diante do Panteão desde 1711 |
| Roma | Piazza della Minerva | Apriés (século VI a.C.) | 5,5 m | Época de Domiciano; sobre o elefante de Bernini desde 1667 |
| Paris | Place de la Concorde | Ramsés II (templo de Luxor) | 23 m | Oferecido à França em 1829; erguido em 1836 |
| Londres | Victoria Embankment, às margens do Tâmisa | Tutmés III (Heliópolis) | 21 m | Doado em 1819; erguido em 1878 |
| Nova York | Central Park, ao lado do Metropolitan Museum | Tutmés III (Heliópolis) | 21 m | Erguido em 1881 |
| Istambul | Praça Sultanahmet (antigo Hipódromo) | Tutmés III (Karnak) | Só resta a parte superior | Erguido em 390 por Teodósio I |
Roma tem ainda dois obeliscos pequenos de Ramsés II, um na Villa Celimontana e outro no monumento de Dogali, perto da estação Termini. A tabela deixa de fora os obeliscos que os romanos talharam imitando os egípcios, como o da Piazza Navona.
Roma, a cidade com mais obeliscos egípcios
Roma é a cidade com mais obeliscos do mundo: o folheto oficial do Turismo Roma conta 14, e oito deles são egípcios antigos. Os demais foram talhados na época romana imitando modelos egípcios, exceto um da Villa Medici, que é uma cópia do século XIX.
Os primeiros chegaram depois que Roma conquistou o Egito, em 30 a.C. Augusto trouxe de Heliópolis o obelisco que hoje está na Piazza del Popolo e o instalou no Circo Máximo; o de Montecitorio funcionava como ponteiro de um enorme relógio de sol no Campo de Marte. Calígula trouxe o do Vaticano em 37 d.C. para o circo que depois ficou conhecido como de Nero, e Constâncio II acrescentou em 357 o de Latrão, encomendado por Tutmés III para o templo de Amon em Karnak.
Com o passar dos séculos, muitos caíram, quebraram ou ficaram enterrados. O papa Sisto V encarregou o arquiteto Domenico Fontana de reerguê-los: o do Vaticano em 1586, numa operação de cerca de quatro meses, o do Esquilino em 1587, o de Latrão em 1588 e o da Piazza del Popolo em 1589. O Turismo Roma explica que o papa os usou como pontos de referência para os peregrinos no fim das novas ruas retas que ligavam as basílicas.
O obelisco de Latrão é o mais alto de Roma, com 32,18 metros de monólito e 45,70 metros com pedestal e cruz. A Encyclopaedia Britannica o descreve como o maior obelisco antigo ainda existente.
Paris, Londres, Nova York e Istambul
Os obeliscos egípcios de Paris, Londres e Nova York saíram do Egito no século XIX como presentes diplomáticos dos governantes egípcios, enquanto o de Istambul chegou no século IV por ordem de um imperador romano.
Paris: o obelisco de Luxor na Concorde
O obelisco da Place de la Concorde é um dos dois que Ramsés II ergueu diante do templo de Luxor: mede 23 metros, pesa 222 toneladas e data do século XIII a.C., segundo o Ministério da Cultura da França. O vice-rei Muhammad Ali o ofereceu à França em 1829, ele viajou no navio Louxor e foi erguido na terça-feira, 25 de outubro de 1836.
A ponta dourada que se vê hoje é recente: um piramídio de bronze de 3,60 metros instalado em maio de 1998. O monumento foi restaurado entre janeiro e junho de 2022. Alguns anos depois do presente, o rei Luís Filipe enviou a Muhammad Ali uma torre de relógio de cobre que até hoje está no pátio da mesquita de Muhammad Ali, na Cidadela do Cairo.
Londres e Nova York: as Agulhas de Cleópatra
As chamadas Agulhas de Cleópatra são dois obeliscos que Tutmés III ergueu em Heliópolis por volta de 1450 a.C., cerca de 1.400 anos antes do reinado de Cleópatra. Na época romana, foram levados para Alexandria e colocados diante do Cesareu, um templo ligado a Cleópatra, e daí vem o apelido.
O de Londres foi doado à Grã-Bretanha em 1819 por Muhammad Ali, mas só viajou em 1877. Foi erguido no Victoria Embankment na quinta-feira, 12 de setembro de 1878, e é tombado em grau I pela Historic England. Segundo a Historic England, Ramsés II acrescentou inscrições cerca de 200 anos depois da construção.
O de Nova York foi anunciado como presente aos Estados Unidos em 1879 e erguido no Central Park no sábado, 22 de janeiro de 1881. O Central Park Conservancy informa que o fuste mede 69 pés (cerca de 21 metros), pesa umas 200 toneladas e é o monumento ao ar livre mais antigo da cidade.
Istambul: o obelisco de Teodósio
O obelisco do Hipódromo de Istambul é um monumento de Tutmés III vindo de Karnak que o imperador Teodósio I mandou erguer em 390. Hoje só resta a parte superior do monólito, que pode ser vista na praça Sultanahmet.
Os obeliscos egípcios que continuam no Egito
No Egito, continuam de pé os obeliscos egípcios de Karnak, do templo de Luxor e de Heliópolis, e em Assuã está o enorme obelisco inacabado, ainda preso à rocha.
| Local | Faraó | Altura aprox. | Situação |
|---|---|---|---|
| Karnak (Luxor), templo de Amon | Hatshepsut | Quase 30 m, mais de 300 t | De pé, ao lado de outro obelisco menor |
| Templo de Luxor | Ramsés II | 25 m | De pé; o par dele está em Paris desde 1836 |
| Heliópolis (Ayn Shams, Cairo) | Sesóstris I, XII dinastia (1956-1911 a.C.) | Sem dado oficial | De pé no sítio arqueológico |
| Pedreira de Assuã | Atribuído a Hatshepsut | 42 m se tivesse sido terminado | Inacabado, nunca foi separado da rocha |
O obelisco de Sesóstris I continua no local da antiga Heliópolis, grande centro do culto ao sol, hoje na região de Matariya, no Cairo. Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades, muitos outros obeliscos dos templos locais foram levados por gregos e romanos na Antiguidade.
O obelisco inacabado de Assuã teria cerca de 42 metros e 1.168 toneladas, mais que qualquer outro obelisco egípcio. Acredita-se que foi encomendado por Hatshepsut para Karnak, mas o trabalho foi abandonado por causa de defeitos e várias fissuras na pedra. A areia o cobriu até o início do século XX.
Como ver os obeliscos egípcios na sua viagem
Os obeliscos egípcios da Europa e de Nova York ficam em praças e parques públicos, então você pode vê-los de graça e a qualquer hora; os do Egito estão dentro de sítios arqueológicos que cobram entrada.
- Roma: uma caminhada pelo centro liga a Piazza del Popolo, Montecitorio, o Panteão e a Piazza della Minerva, logo atrás do Panteão. Para os mais distantes, o Turismo Roma indica as estações da linha A do metrô Flaminio (Piazza del Popolo), San Giovanni (Latrão) e Ottaviano-San Pietro (Vaticano).
- Paris: a Place de la Concorde fica entre o Jardim das Tulherias e a Champs-Élysées, com a estação de metrô Concorde (linhas 1, 8 e 12).
- Londres: o obelisco está no Victoria Embankment, a poucos minutos a pé da estação Embankment do metrô, ladeado por duas esfinges de bronze.
- Nova York: fica no lado leste do Central Park, entre o Great Lawn e o Metropolitan Museum of Art, e combina bem com a visita ao museu.
- Istambul: a praça Sultanahmet ocupa o antigo Hipódromo, no centro histórico, e dá para percorrer a pé.
- Egito: Karnak e o templo de Luxor ficam na cidade de Luxor; o obelisco inacabado, nas pedreiras de Assuã; o de Sesóstris I, no bairro de Matariya, no Cairo. Preços e horários mudam, por isso vale conferir o site do Ministério do Turismo e Antiguidades antes de ir.
O Obelisco de Buenos Aires não é egípcio
O Obelisco de Buenos Aires é um monumento moderno, sem relação com os faraós: foi inaugurado no sábado, 23 de maio de 1936, é obra do arquiteto Alberto Prebisch e mede 67,5 metros, segundo o portal oficial de turismo da cidade.
O Obelisco foi construído em apenas 31 dias em homenagem ao quarto centenário da primeira fundação de Buenos Aires, feita por Pedro de Mendoza em 1536. Fica no cruzamento das avenidas 9 de Julio e Corrientes, no ponto onde a bandeira argentina foi hasteada pela primeira vez na cidade. A forma lembra a dos obeliscos egípcios, mas não há hieróglifos nem pedra antiga.
Dezenas de ônibus (os colectivos) passam pela 9 de Julio ou pela Corrientes, e o guia de ônibus de Buenos Aires traz os itinerários. Por exemplo, o serviço S da linha 8, que liga os aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, passa pela 9 de Julio na altura do Obelisco. Todos são pagos com o cartão SUBE, e o guia do cartão SUBE em Buenos Aires explica como comprar e recarregar. Se a viagem for no verão, veja o que esperar de Buenos Aires em dezembro e janeiro.
Perguntas frequentes
Quantos obeliscos egípcios existem em Roma?
Roma tem oito obeliscos egípcios antigos, mais que qualquer outra cidade fora do Egito. O folheto oficial do Turismo Roma conta 14 obeliscos na cidade, mas os demais foram talhados na época romana imitando os egípcios ou são cópias modernas. Os maiores egípcios estão em Latrão, no Vaticano, na Piazza del Popolo e em Montecitorio.
Qual é o obelisco egípcio mais alto ainda de pé?
O mais alto é o obelisco de Latrão, em Roma, com cerca de 32 metros de monólito e 45,70 metros com pedestal e cruz. Foi encomendado por Tutmés III para Karnak e chegou a Roma em 357. Dentro do Egito, o mais alto de pé é o de Hatshepsut, em Karnak, com quase 30 metros.
Por que os obeliscos de Londres e Nova York se chamam Agulhas de Cleópatra?
O nome vem da época romana, quando os dois ficavam em Alexandria diante do Cesareu, um templo ligado a Cleópatra. Na verdade, foram erguidos por Tutmés III em Heliópolis por volta de 1450 a.C., cerca de 1.400 anos antes do reinado dela. O de Londres foi erguido em 1878 e o de Nova York em 1881.
O que é o obelisco inacabado de Assuã?
O obelisco inacabado é um obelisco que ficou pela metade em uma pedreira de Assuã porque a pedra tinha defeitos e várias fissuras. Terminado, teria cerca de 42 metros e 1.168 toneladas, segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito. É atribuído a Hatshepsut e hoje pode ser visitado como sítio arqueológico.
O Obelisco de Buenos Aires é egípcio?
Não. O Obelisco de Buenos Aires é um monumento moderno inaugurado em 23 de maio de 1936, projetado pelo arquiteto Alberto Prebisch para o quarto centenário da primeira fundação da cidade. Mede 67,5 metros e fica no cruzamento da avenida 9 de Julio com a avenida Corrientes, no centro da cidade.
É preciso pagar para ver os obeliscos egípcios?
Em Roma, Paris, Londres, Nova York e Istambul não é preciso pagar, porque os obeliscos egípcios ficam em praças e parques públicos. No Egito, Karnak, o templo de Luxor e o obelisco inacabado de Assuã estão dentro de sítios arqueológicos com entrada paga, então vale conferir os preços atuais antes da viagem.
Foto de capa: 2H Media / Unsplash