Cientistas argentinos criaram um dispositivo inovador que combina uma faixa com sensores e sons, para ajudar a prevenir o deterioro cognitivo enquanto as pessoas dormem. Este avanço está sendo realizado no Laboratório de Sono e Memória do Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA).
No Laboratório de Sono e Memória, quatro camas estão dispostas para que os participantes durmam conectados a eletrodos, enquanto os pesquisadores registram a atividade cerebral durante a noite. Pablo Gleiser, pesquisador do ITBA, destaca a importância deste ambiente científico no desenvolvimento de novas tecnologias para a intervenção do sono.
A empresa NeuroAcoustics, fundada por Gleiser e seus colegas, se dedica a desenvolver esta tecnologia. Além de Gleiser, a equipe inclui Cecilia Forcato, doutora em Biologia, e Rodrigo Ramele, doutor em Informática. Juntos, estão aplicando seus conhecimentos para criar um dispositivo que registre em tempo real as ondas cerebrais durante o sono profundo.
Este novo dispositivo utiliza algoritmos de inteligência artificial para identificar as ondas lentas do sono profundo e estimulá-las com sons específicos. Gleiser explica que as ondas lentas são essenciais para a consolidação da memória e a limpeza cerebral. Se essas ondas forem afetadas, pode haver implicações na saúde cognitiva, incluindo o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.
O dispositivo, que se coloca como uma faixa, analisa as fases do sono e emite pulsos sonoros em momentos chave para estimular as ondas lentas e melhorar a qualidade do sono. Isso é particularmente importante porque, com a idade, essas ondas podem perder sua amplitude e regularidade, afetando a saúde geral.
Um dos desafios do desenvolvimento do dispositivo foi garantir que funcionasse em tempo real. Gleiser explica que um pulso muito cedo ou muito tarde pode diminuir a efetividade do estímulo. Utilizando a inteligência artificial, o sistema foi projetado para antecipar e reagir às sinais do cérebro de maneira personalizada, adaptando-se às variações individuais de cada usuário.
Desde seu início, no final de 2022, a NeuroAcoustics tem avançado na validação do dispositivo por meio de estudos com voluntários no laboratório. À medida que os processos são automatizados, o objetivo é criar um dispositivo de uso simples que as pessoas possam ativar sem a necessidade de intervenção externa.
Fonte: www.infobae.com