Uma equipe de arqueólogos encontrou no Castelo de Laval, França, o corpo da condessa Anne d’Alègre, falecida em 1619, em um estado surpreendentemente bem conservado. Seu estado dental, preservado ao longo dos anos, revelou segredos sobre as práticas de saúde bucal da nobreza no século XVII.
O Castelo de Laval, uma fortaleza medieval do século XI localizada no noroeste da França, testemunhou a vida de inúmeras gerações aristocráticas. Em 1988, durante uma escavação, foi descoberto o féretro da condessa, cujos dentes apresentavam um estado incomum. Encontrou-se um fio metálico ao redor deles, mas os métodos de pesquisa da época não permitiram compreendê-lo completamente. Trinta e cinco anos depois, o caixão foi reaberto com tecnologia avançada, revelando a identidade da condessa e o segredo de seus dentes.
Análises atuais, publicadas em 2023, determinaram que Anne d’Alègre utilizava um fio de ouro para manter seus dentes no lugar e que possuía uma prótese dental feita de marfim de elefante, o que era incomum na Europa naquela época. Essas evidências foram estudadas através de tomografia computadorizada e escaneamento 3D, o que permitiu aos pesquisadores reconstruir digitalmente sua saúde bucal e avaliar o estado de sua dentadura.
Os especialistas diagnosticaram que a condessa sofria de periodontite avançada, uma condição pouco comum na paleopatologia, já que foi a primeira vez que se aplicou uma classificação moderna para analisar restos arqueológicos. Os resultados mostraram que as próteses apresentavam desgaste e haviam sido utilizadas em vida, além de que o uso de ouro nos dentes indicava tratamentos contínuos que refletiam um alto status social.
No século XVII, a saúde dental estava intrinsecamente vinculada à percepção social, especialmente entre as mulheres, que eram julgadas por sua aparência. Historicamente, considerava-se que mulheres sem dentes poderiam perder sua posição respeitável, destacando assim a pressão social sobre a estética feminina naquele período.
Fonte: www.infobae.com