Dark Mode Light Mode
Detenção do jornalista Luis Alberto Villacorta Salas em Tarapoto
O legado de vigilância da Copa do Mundo: câmeras e desatenção aos desaparecidos

O legado de vigilância da Copa do Mundo: câmeras e desatenção aos desaparecidos

El legado de vigilancia del Mundial: cámaras y desatención a desaparecidos El legado de vigilancia del Mundial: cámaras y desatención a desaparecidos

A Copa do Mundo de Futebol chegou ao fim, mas a infraestrutura de vigilância e controle implementada durante o torneio pode perdurar no México, segundo organizações civis. Este aviso foi emitido na apresentação do relatório “Gritar gol e gritar ¡justiça! Violações aos direitos humanos no México no âmbito da Copa do Mundo FIFA 2026”.

O documento revela padrões de repressão e criminalização de protestos, assim como restrições ao espaço público e um aumento nas capacidades de segurança na Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, as três sedes do torneio organizadas em conjunto com os Estados Unidos e o Canadá. Josefa Gómez, do Programa de Direitos Humanos da Universidade Ibero-americana, destacou que esses registros são cruciais, uma vez que existe preocupação de que as garantias de direitos sejam flexibilizadas permanentemente: “Nos preocupa que uma vez que essas garantias já foram flexibilizadas, não haja mais volta atrás,” comentou.

Um dos achados mais notáveis ocorreu em Jalisco, onde o orçamento para vigilância durante o torneio até superou o destinado à busca de pessoas desaparecidas. Segundo Gina Díaz Martínez, do Centro de Justiça para a Paz e o Desenvolvimento (CEPAD), o anexo orçamentário para busca aumentou 172,68%, embora ela o tenha qualificado como uma “ilusão orçamentária”, já que mais de 90% desse crescimento foi concentrado no C5 e na Secretaria de Inteligência e Busca de Pessoas. No entanto, os recursos não contribuíram para a busca em campo, identificação forense nem atenção às famílias afetadas. O orçamento do C5 subiu de 6,8 milhões de pesos em 2025 para 1.345 milhões de pesos em 2026, priorizando a videovigilância e tecnologias de monitoramento: “Enquanto temos fossas clandestinas se multiplicando (…) o Estado prefere gastar em câmeras inteligentes para vigiar as avenidas de trânsito,” questionou Díaz, lembrando que Jalisco é o primeiro lugar nacional em pessoas desaparecidas desde 2019.

Durante o mês de junho, as organizações registraram 50 incidentes de protesto, 18 dos quais ocorreram na Cidade do México. A presença de agentes estaduais foi constatada em 40 dos casos verificados, assim como padrões diferenciados de contenção, que incluíram o encapsulamento de famílias que buscavam respostas diante da crise de mais de 134 mil pessoas desaparecidas e um aumento da violência contra professores da CNTE (Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação). Gómez também indicou que uma estratégia de estigmatização discursiva foi implementada que, sem criminalizar abertamente os protestos, teria servido para minimizar a gravidade do uso da força.

Além disso, o relatório documentou o assédio a pessoas em situação de rua nas duas principais cidades, assim como ações de reordenamento urbano que afetaram comunidades indígenas, bairros populares e famílias buscadoras em Monterrey. Também foram reportados danos a jornalistas durante pelo menos seis protestos, incluindo 11 agressões contra mulheres jornalistas. Adriana Quiroz, da Rede TDT, questionou a falta de um cronograma claro para a finalização dessas medidas de segurança, sugerindo que a atuação policial disfarçada de civil poderia estar funcionando como um laboratório para testar a capacidade de controle social.

Este relatório surge em um contexto de alerta internacional onde coletivos de direitos humanos e familiares de vítimas, liderados pela Anistia Internacional, solicitaram à Assembleia Geral da ONU a criação de um “mecanismo extraordinário” para enfrentar a crise de desaparecimentos no México, que já acumula mais de 135 mil pessoas não localizadas e 72 mil restos não identificados. Essas circunstâncias revelam a crescente tensão entre a expansão da infraestrutura de monitoramento no espaço público e a insuficiente resposta forense e de busca diante da crise.

Fonte: www.infobae.com

Add a comment Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Previous Post
Detención del periodista Luis Alberto Villacorta Salas en Tarapoto

Detenção do jornalista Luis Alberto Villacorta Salas em Tarapoto