Inés Creimer, amiga de Cecilia Barreda, recorda sua experiência durante a infância no meio da família Barreda, marcada por um ambiente estranho e desconcertante antes dos trágicos assassinatos de 1992.
Em um aniversário, Inés se escondeu debaixo da mesa ao ver Ricardo Barreda, o pai de sua amiga. Apesar de não ter presenciado atos de violência explícita, absorveu a incomodidade que a presença dele causava. “Era outra coisa”, recorda, explicando a incomodidade de ser observada por um adulto que fazia comentários inadequados.
Inés e Cecilia Barreda se conheceram na escola Normal 1 de La Plata, e sua amizade se estreitou quando as famílias se mudaram para ruas próximas na mesma cidade. Embora Raúl Barreda raramente estivesse em casa, sua presença era difícil de ignorar, gerando desconforto entre as jovens. Durante anos de visitas à casa, Inés nunca viu Barreda realizar tarefas domésticas, o que contrasta com a imagem materna e amorosa que representava a avó, Elena Arreche.
No relato de Inés, se faz referência à distância entre as filhas de Barreda e seu pai. Apesar de ter obtido seu diploma em odontologia, a carreira de Cecilia provocou ciúmes em Barreda, que não queria que sua filha seguisse seus passos. Inés recorda momentos de cumplicidade e amizade com Cecilia, como quando sofreu um acidente após emprestar uma moto, um episódio que ilustra o caráter de ambas.
No dia 15 de novembro de 1992, o crime chocou a sociedade. Inés não estava em La Plata quando aconteceu, mas sua primeira reação ao saber dos assassinatos foi nomear Ricardo como o responsável, um sentimento inexplicável que ainda a persegue. Barreda disparou e matou sua sogra, esposa e filhas antes de se entregar à polícia. Em seu julgamento, Barreda elaborou um relato de vitimização, sendo visto por uma parte da sociedade como um símbolo do homem que “reagiu”.
Apesar de ter deixado La Plata antes dos crimes, Inés enfrentou as repercussões do caso em sua vida cotidiana, com piadas desrespeitosas sobre a tragédia. A recente estreia de um filme sobre Barreda reabre feridas profundas, ressaltando a memória das vítimas em um relato que muitas vezes se concentrou no assassino.
Fonte: www.infobae.com