O Governo apresentará nesta sexta-feira no Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF) sua proposta de reforma de financiamento autônomo, a qual enfrenta rejeição por parte de várias comunidades autônomas, exceto Cataluña e Canárias.
O Ministério da Fazenda, dirigido por Arcadi Espanha, convocou as comunidades autônomas de regime comum para submeter a votação seu plano. No entanto, as comunidades governadas pelo PP e as regiões socialistas de Castilla-La Mancha e Astúrias expressaram sua oposição, pois consideram que o plano foi negociado previamente de forma bilateral com o ERC, o que gerou o rechaço de muitas delas.
Antes da reunião do CPFF, a Comunidade de Madrid anunciou que não comparecerá, justificando sua ausência pela natureza bilateral da proposta. O Governo de Ayuso transmitiu sua postura ao PP nacional e outras comunidades do partido, sugerindo que a falta de quórum poderia impedir que o acordo avançasse. Apesar dessa situação, várias comunidades do PP confirmaram sua presença no conselho, que havia sido adiado desde julho devido à crise de incêndios.
Do Ministério da Fazenda, lamentou-se a decisão da Comunidade de Madrid de não participar, qualificando seu chamado ao boicote como irresponsável. Quanto às duas comunidades socialistas, o Governo de Emiliano García-Page reiterou sua rejeição ao modelo, argumentando que prejudica o princípio de igualdade e foi consensuado apenas com um partido.
Astúrias também expressou sua oposição, considerando-o um modelo injusto e não conforme aos acordos prévios adotados pela Junta Geral em 2020 e a Declaração de Santiago em 2021. Além disso, criticam que a proposta não considera adequadamente fatores como o envelhecimento e a orografia ao calcular a população ajustada.
Alberto Núñez Feijóo, líder do PP, manifestou sua oposição à proposta, qualificando-a como uma tentativa de assegurar a sobrevivência política de Pedro Sánchez. Segundo ele, o Governo não conta com os recursos necessários para implementar o novo sistema e sustenta que foi desenhado por um partido independentista de Cataluña.
Em contraste, tanto Cataluña quanto Canárias parecem inclinadas a apoiar o novo modelo, o que permitirá ao Governo levá-lo ao Conselho de Ministros. O Governo catalão defendeu que este modelo não é prejudicial e pode beneficiar todas as comunidades, enquanto Canárias condicionou seu apoio a certas condições específicas.
A reunião do CPFF representará um passo prévio para a possível aprovação do plano pelo Conselho de Ministros e posterior remessa ao Congresso dos Deputados. Espera-se que o Governo obtenha o visto bom neste conselho, dado que possui 50% dos votos e só precisa do apoio de uma comunidade autônoma para avançar.
Fonte: www.infobae.com