O risco país da Argentina sofreu uma queda pelo quarto dia consecutivo, afastando-se mais da barreira dos 500 pontos básicos, enquanto os títulos argentinos retomaram os ganhos na sexta-feira.
Esse indicador financeiro, elaborado pelo JP Morgan, registrou uma diminuição de seis unidades, posicionando-se em 490 pontos básicos, o que representa seu nível mais baixo desde 17 de agosto. Os títulos soberanos em dólares, tanto os Bonares quanto os Globais, avançaram em média 0,4%, embora o índice S&P Merval da Bolsa de Comércio de Buenos Aires não tenha conseguido manter os ganhos iniciais e terminou com uma queda de 0,3%, situando-se em 3.049.122 pontos.
Damián Vlassich, líder de equipe de Estratégias de Investimento da IOL, observou que “a praça doméstica conseguiu fechar a semana sob um marco de relativa estabilidade cambial e desacoplamento frente à volatilidade internacional”. No âmbito dos ADR e das ações argentinas na Wall Street, houve resultados mistos, destacando-se as quedas da Globant (-3%) e do Banco Francês (-1,8%), e as altas da Bioceres (+3,5%) e da Cresud (+1,9%).
Por outro lado, os preços do petróleo mostraram um leve aumento, com o barril de Brent do Mar do Norte subindo 0,4%, para USD 95,94 para os contratos com entrega em novembro. A YPF registrou um aumento de 0,4%, alcançando USD 52,62, enquanto a Vista Energy caiu 1,2%.
Com o Dia do Trabalho nos EUA programado para segunda-feira, dia 7, as operações em Buenos Aires foram adiantadas, antecipando um corte de liquidez no início da próxima semana. Os índices da Wall Street mostraram quedas entre 0,3% e 0,5% após a publicação de um relatório de emprego nos Estados Unidos que contou com a criação de 162.000 novos postos em agosto, superando significativamente a expectativa de 55.000.
A taxa de desemprego nos EUA permaneceu em 4,1%, com um aumento na taxa de participação para 61,6%. Analistas da Rava Bursátil comentaram que “o dado de folhas de pagamento não agrícolas nos Estados Unidos foi superior ao previsto e ajustou as expectativas sobre a política monetária”. A Balanz ressaltou que o mercado agora projeta um aumento de 25 pontos básicos para a reunião do Fed em 16 de setembro, com uma probabilidade de 63%.
No mercado cambial, o dólar à vista fechou estável a $1.508, com uma atividade significativa de USD 736,3 milhões no segmento à vista. Nicolás Merino, da ABC Mercado de Câmbio, destacou que “o mercado mostrou um equilíbrio entre oferta e demanda”, embora tenha havido maior pressão vendedora na segunda metade da jornada.
O BCRA fixou um teto de $1.885,14 para seu regime de bandas cambiais, e a taxa de câmbio oficial ficou a 377,14 pesos desse limite. Ao longo de 2026, o dólar varejista mostra um aumento de 50 pesos, ou um 3,4%. Além disso, o BCRA informou que o dólar varejista médio em instituições financeiras foi de $1.528,60 para venda.
O relatório da equipe de pesquisa da Puente afirmou que “as reservas internacionais conseguiram se recuperar acima de USD 50.000 milhões”, embora a arrecadação tributária tenha permanecido estável, refletindo a fraqueza em impostos relacionados à atividade e ao emprego formal. Os analistas estimam que a dinâmica cambial continuará a mostrar um processo de dolarização de carteiras, apesar de o BCRA continuar acumulando reservas, indicando que a desinflação é uma de suas prioridades.
Fonte: www.infobae.com