O recente limite de 50.000 carros híbridos e elétricos na Argentina impulsionou uma mudança notável no mercado automotivo. Pela primeira vez, não há veículos argentinos entre os dez mais baratos disponíveis.
O Governo implementou esse limite com o objetivo de fomentar a eletromobilidade e reduzir os preços dos carros novos. No entanto, um ano após a chegada de importações significativas de carros eletrificados, o panorama mudou drasticamente. Os limites para os anos 2025 e 2026 foram aplicados a veículos com um preço de até 16.000 USD FOB, o que se traduz em aproximadamente 32.000 USD ao serem comercializados no país.
Entre os poucos modelos elétricos e híbridos que se beneficiaram desse sistema estão o JMEV Easy 3, o MG3 Hybrid+ e o BYD Dolphin Mini. Esses veículos começaram a competir no segmento de carros acessíveis, desafiando gradual e lentamente outros modelos do mercado. Há um ano, o ranking incluía oito carros brasileiros e os dois únicos fabricados na Argentina, o Fiat Cronos e o Peugeot 208. Atualmente, a lista mudou para seis carros brasileiros, três de origem chinesa e um da Índia.
Apesar da mudança na lista, nem todos os novos modelos que substituíram os clássicos eram híbridos ou elétricos, o que indica que a abertura das importações foi fundamental para aumentar a competição. Em termos de vendas, o JMEV vendeu 210 carros até o momento, o MG3 alcançou 1.121, e o Dolphin Mini 2.836, totalizando 4.167 unidades que não estavam no mercado anteriormente.
Por outro lado, alguns modelos vindos da Ásia estão entrando no mercado sem o benefício de tarifas preferenciais e se encontram nas posições mais baratas do mercado. O MG3 a gasolina ocupa atualmente a sétima posição em custo, enquanto o modelo X3 da Kaiyi se situa na oitava posição, evidenciando que mesmo os carros sem isenções tarifárias podem competir efetivamente em preço.
Os fabricantes nacionais viram suas vendas diminuírem, apesar de que os modelos mais populares continuam liderando as vendas. No entanto, a queda nas vendas, especialmente de modelos como o Renault Kwid e o Fiat Mobi, evidenciou uma mudança na dinâmica do mercado. A pressão sobre os preços aumentou e algumas marcas começaram a oferecer versões mais básicas a preços mais competitivos, reconhecendo implicitamente que os preços anteriores estavam muito altos. A situação também foi descrita pelo presidente da Prestige Auto, Daniel Herrero, que enfatizou que, embora não seja necessário proteger a indústria nacional, é fundamental ter ferramentas justas para competirem.
Fonte: www.infobae.com