A Universidade de Havana lançou uma convocação extraordinária para estudantes de outros cursos interessados em se transferir para Jornalismo para o ano letivo 2026-2027. Esta iniciativa, anunciada em 2 de setembro pela Faculdade de Comunicação, surge devido às dificuldades na captação de profissionais nos meios alinhados ao regime cubano.
O chamamento é direcionado a universitários que desejam mudar seu foco acadêmico para Jornalismo. Os candidatos devem apresentar um exame de aptidão programado para os dias 11 e 12 de setembro, o qual avaliará conhecimentos de cultura geral, informação atual, redação e domínio da língua. Não foi especificado o número de vagas disponíveis nem quantos estudantes se espera incorporar.
José Raúl Gallego, jornalista independente, destacou que essa decisão ocorre em um contexto onde o sistema de meios oficial enfrenta problemas para atrair e reter graduados em Jornalismo. Segundo Gallego, a carreira perdeu atratividade entre os jovens devido a fatores como emigração, baixos salários, censura e diferenças políticas com os meios oficialistas. “A cada vez a quantidade e a qualidade das matrículas para a carreira de Jornalismo é inferior”, afirmou.
Gallego também observou que muitos graduados optam por não trabalhar em redações oficialistas ou as abandonam após algum tempo. “Os meios estão vazios, inclusive os nacionais”, acrescentou. Esse fenômeno não afeta apenas a entrada de novos estudantes, mas também o exercício profissional após a formação acadêmica, pois muitos graduados enfrentam obstáculos para desenvolver sua carreira dentro da estrutura oficialista.
Entre os fatores que ele mencionou, destacou a exigência de uma adesão ideológica ao sistema político cubano, que tem primado sobre os critérios acadêmicos. Além disso, referiu-se à imposição do serviço militar obrigatório a mulheres selecionadas para estudar Jornalismo, o que afeta especialmente um grupo que costumava ter uma maior representação nas salas de aula, sugerindo que isso busca reforçar o controle político sobre futuros comunicadores. Gallego argumentou que o problema é sistêmico, afirmando que, “cada vez é mais difícil ser parte de um sistema que te obriga a mentir publicamente”.
O jornalista lembrou que a Universidade de Havana implementou um processo semelhante no ano letivo 2009-2010, coincidindo com a finalização de seus estudos, o qual recebeu o apoio do Departamento Ideológico do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC). Naquela ocasião, a inclusão e formatura de novos alunos foi considerada uma “tarefa política”. Segundo Gallego, o retorno desse mecanismo mais de 15 anos depois indica que as dificuldades para captar e reter estudantes não foram superadas.
Fonte: www.infobae.com