Após mais de 17 anos de pesquisa, Javier Cabello, veterinário e fundador do Centro de Conservação da Biodiversidade Chiloé Silvestre, publicou um artigo na revista Biological Conservation. Seu estudo pede que a raposa de Darwin (Lycalopex fulvipes) seja reinstalada na categoria de ‘perigo crítico de extinção’.
O estudo de Cabello analisou a população de raposas de Darwin no arquipélago de Chiloé, na Cordilheira de Nahuelbuta e no Parque Oncol em Valdivia. Este é o único estudo genético dessa espécie, endêmica do Chile, que busca entender como a diversidade genética pode influenciar sua conservação. Cabello afirmou: “A raposa chilote é um dos carnívoros a nível mundial que tem a menor diversidade genética, até menos que o felino mais ameaçado do mundo, que é o lince ibérico, ou o cánido mais ameaçado do mundo, que é o lobo etíope”. Devido à sua baixa diversidade genética, a espécie enfrenta um maior risco de extinção.
Com o objetivo de ilustrar os problemas de consanguinidade, Cabello comparou a raposa chilote com um grupo de alunos em uma sala, onde todos teriam sobrenomes diferentes. No caso da raposa chilote em Chiloé, todos os indivíduos compartilham o mesmo ‘sobrenome’, resultando em uma população consanguínea que afeta sua taxa reprodutiva e o desenvolvimento de suas crias.
Até 2016, a raposa de Darwin estava classificada como em perigo crítico de extinção, mas após a detecção de novas colônias, passou a ser chamada de ‘em perigo’. No entanto, o estudo propõe que, dada a fragmentação das colônias e estimativas matemáticas que situam a população abaixo de 2.500 exemplares, a espécie deveria ser reclasificada como em perigo crítico de extinção.
Fonte: www.infobae.com