Uma tragédia migratória cobrou a vida de mais de 80 pessoas na rota atlântica para as Canárias, incluindo um bebê e várias mulheres. O cayuco que partiu de Gâmbia há 26 dias foi resgatado nesta quinta-feira com apenas 45 sobreviventes a bordo.
O cayuco, que contava originalmente com 127 ocupantes, foi localizado na madrugada de quinta-feira à deriva ao sul do arquipélago. Ontem à tarde, um avião de resgate do Salvamento Marítimo avistou a embarcação a 120 quilômetros de Gran Canaria. A Guardamar Urania chegou para realizar o resgate, embora tenha sido forçada a deixar os cinco corpos encontrados no cayuco devido às difíceis condições do mar.
A Guarda Civil confirmou à ONG Caminando Fronteras que as inscrições no casco do cayuco coincidem com uma embarcação que zarpou em 7 de setembro de Gâmbia. Os sobreviventes corroboraram essa informação durante sua assistência por parte da Cruz Vermelha no porto de Arguineguín, indicando que muitos viajavam em condições extremas e relataram mortes durante a travessia. Helena Maleno, fundadora da Caminando Fronteras, afirmou: “A informação que conseguimos verificar até o momento é que se trata de um alerta que enviamos às autoridades de busca e resgate sobre 127 pessoas, entre elas quatro mulheres e um bebê.”
Maleno acrescentou que houve inúmeras ligações de familiares temendo o pior e que a situação destaca a necessidade urgente de melhorar a cooperação internacional nas operações de resgate. O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, expressou seu pesar pela perda de vidas, afirmando que “as Canárias não podem se acostumar nem normalizar que o Atlântico continue sendo uma rota de morte.”
De acordo com os relatórios da Caminando Fronteras, a rota atlântica continua sendo a mais perigosa para migrantes que tentam alcançar a Espanha, com 635 mortes registradas entre janeiro e junho deste ano. Embora o número de migrantes que chegam às costas espanholas tenha diminuído consideravelmente, a taxa de mortalidade por cada 100 chegadas aumentou, alcançando 21 mortos este ano.
Fonte: www.infobae.com