Giselle coordena a exportação de chá e erva-mate de Misiones para diversos mercados como Rússia, Estados Unidos e Malásia, onde cada envio depende de prazos precisos. “Se o certificado for emitido após o avião decolar, já não é válido”, ressalta, evidenciando a constante pressão entre tempos, certificações e fretes.
A partir da Argentina, a maioria do chá preto é exportada de Misiones, a província com maior produção. A qualidade do chá varia de acordo com o destino: é enviada uma qualidade superior para a Rússia, enquanto para a Malásia é despachado um chá mais econômico, destinado a proporcionar volume em vez de sabor.
O circuito logístico de uma exportação começa com a coleta do contêiner vazio em Buenos Aires, que é então transportado para a planta em Misiones para ser carregado. Dependendo da fábrica, os trâmites aduaneiros são realizados na planta ou em Santo Tomé, Corrientes, antes que o contêiner retorne a Buenos Aires para ser embarcado. Após isso, é feito um acompanhamento detalhado do embarque até o destino final.
O transporte do chá requer cuidados específicos para manter sua qualidade, sendo a umidade o fator mais crítico. É vital que o chá seja embalado imediatamente após a fase de secagem, já que, se exposto ao ar, pode recuperar umidade. Caso o nível de umidade ao chegar supere o permitido, o cliente pode rejeitar o produto.
As especificações sobre o tipo de embalagem, tamanho e peso são definidas pelo comprador, e a viabilidade dessas medidas em relação à carga do contêiner é avaliada. O custo de cada embalagem também é considerado, uma vez que o chá apresenta margens de lucro ajustadas.
As certificações internacionais impactam diretamente na logística, embora não sejam geridas por essa área. Recentemente, uma fábrica ficou inabilitada para uma certificação específica, impedindo a coordenação de despachos desse local até que o problema fosse resolvido. No caso da erva-mate orgânica, que é exportada por via aérea, a margem de tempo é ainda mais reduzida, já que a certificação de rastreabilidade deve ser concluída antes do voo.
Atender aos padrões do mercado é complicado; mercados como a Índia são difíceis de igualar tanto em qualidade quanto em preços competitivos. Por essa razão, a estratégia se concentra em mercados como Estados Unidos ou Rússia, que demandam altos padrões e onde nem todos os fornecedores se comprometem a trabalhar.
Em resumo, há um extenso trabalho prévio que não é visível para os compradores finais, incluindo testes de laboratório e aprovação subsequente antes de proceder com a carga. Atualmente, a incerteza nos custos de frete complica a previsibilidade, dado que o mercado é volátil e os ajustes de preço são frequentes.
Fonte: www.infobae.com