O Poder Executivo apresentou um projeto de lei ao Congresso da República com a intenção de solicitar a delegação de poderes legislativos por 120 dias na área pesqueira e aquícola, gerando preocupações sobre possíveis mudanças na proteção das 5 milhas marítimas.
No dia 28 de agosto, o Executivo propôs medidas para fortalecer a infraestrutura artesanal e a criação de um fundo privado para o setor. No entanto, as disposições incluídas no projeto poderiam modificar as regras que atualmente protegem as primeiras 5 milhas marítimas, o que suscitou inquietação em organizações artesanais.
O inciso E do artigo 2 do projeto menciona que serão solicitados poderes para modernizar o marco normativo das atividades pesqueiras e aquícolas, incluindo a classificação da frota pesqueira marítima, uma disposição atualmente regulada pela Lei 31749. Também são discutidos mecanismos para enfrentar fenômenos climáticos e dinamizar a pesca em diferentes escalas, enfatizando as características geográficas e oceanográficas do litoral sul do Peru.
As preocupações surgem no setor artesanal, que teme que esses poderes possam eliminar ou modificar a Lei 31749, que foi aprovada por unanimidade em maio de 2023 e que restringe a pesca industrial nas primeiras 5 milhas. Essa legislação também proíbe o uso de redes de cerco mecanizado nas primeiras 3 milhas, devido aos seus efeitos negativos sobre os juvenis e o ecossistema.
A referência à zona sul gerou alertas entre organizações em Tacna, Arequipa e Moquegua, pois poderia reativar as chamadas “janelas de penetração”, permitindo exceções para a pesca industrial próxima à costa. Os críticos alertam que qualquer flexibilização dessas restrições durante fenômenos como El Niño poderia comprometer espécies-chave para a pesca artesanal, uma vez que as primeiras 5 milhas são vitais para a reprodução e alimentação de recursos comerciais.
A regulamentação da Lei 31749 está demorando mais de 20 meses e tem enfrentado múltiplos processos de pré-publicação. Apesar disso, representantes do setor afirmam que o Ministério da Produção (PRODUCE) não implementou integralmente as medidas. Por isso, fazem um apelo ao Congresso para avaliar cuidadosamente o alcance dos poderes solicitados e exigir informações sobre as possíveis mudanças previstas.
No Congresso, a solicitação de poderes legislativos gerou reações. No dia 2 de setembro, a deputada Norma Yarrow do Renovação Popular expressou sua preocupação através das redes sociais ao se dirigir ao Presidente do Conselho de Ministros, Luis Galarreta, levantando dúvidas sobre se esses poderes beneficiarão ou prejudicarão a pesca artesanal e alertando sobre o risco de benefícios indevidos para a indústria nacional e estrangeira.
Fonte: www.infobae.com